Não
direi:
Que o silêncio
me sufoca e amordaça.
Calado estou,
calado ficarei,
Pois que a
língua que falo é de outra raça.
Palavras
consumidas se acumulam,
Se
represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas
em limos transformadas,
Vaza de fundo
em que há raízes tortas.
Não
direi:
Que nem sequer
o esforço de as dizer merecem,
Palavras que
não digam quanto sei
Neste retiro
em que me não conhecem.
Nem só lodos
se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais
bóiam, mortos, medos,
Túrgidos
frutos em cachos se entrelaçam
No
negro poço de onde sobem dedos.
Só
direi,
Crispadamente
recolhido e mudo,
Que quem se
cala quando me calei
Não poderá
morrer sem dizer tudo.
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Data de criação : 08/11/08 Última atualização : 12/05/03 18:55 / 373 Artigos publicados










